
A Escola de Teatro da UFBA recebe, pela primeira vez em quase 70 anos de existência, um membro da consagrada Comédie-Française, a trupe de Molière que desde 1680 é referência mundial do teatro e mais antiga trupe em atividade no mundo. De 15 a 22 de março, Véronique Vella, atriz, cantora, diretora e vice-decana da Maison de Molière, como é conhecida a Comédie-Française, vem a Salvador a convite da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, em parceria com a Aliança Francesa de Salvador, numa realização do GEPPTRAL – Grupo de Estudos e Pesquisas em Produção Teatral, ligado ao PPGAC-UFBA, coordenado pelos professores Deolinda Vilhena (PPGAC/ETUFBA) e Sérgio Sobreira (FACOM/UFBA).
As atividades ministradas por Véronique Vella (oficina e masterclass) se inscrevem também no âmbito das comemorações da Semana Internacional da Francofonia.
A Oficina, intitulada “Conhecendo Molière” terá duração de seis horas, e será realizada no Teatro Martim Gonçalves, na tarde/noite do dia 17 de março. As inscrições e o processo seletivo para a oficina foram realizados entre janeiro e fevereiro de 2025.
A comissão examinadora, que será composta pelos professores Deolinda Vilhena, João Sanches (ambos do PPGAC/ETUFBA) e Sérgio Sobreira (FACOM/UFBA), selecionou 12 participantes e 4 suplentes, que serão ouvintes da oficina. O grupo é composto por alunos e ex-alunos da Escola de Teatro e do PPGAC/UFBA. Além dos participantes selecionados, a oficina será aberta a professores da ETUFBA e a alguns membros da classe teatral soteropolitana que queiram participar como ouvintes, em número igual ao dos participantes previamente selecionados.
A oficina contará com a participação do professor doutor George Mascarenhas (ETUFBA/PPGAC) e com a tradução da doutoranda do PPGAC/UFBA e da Universidade de Montpellier, Laura Salvatore. Proporcionando assim a Véronique Vella e aos participantes um suporte para facilitar ao máximo o não domínio da língua francesa pelos nossos alunos, que serão totalmente acompanhados ao longo do processo de trabalho.
As palavras de Véronique Vella dizem o que podem esperar os participantes selecionados para a oficina:
“Conhecer o trabalho de Molière mergulhando diretamente em duas de suas peças mais emblemáticas, especificamente a primeira cena de As Eruditas e a cena inaugural de O Misantropo. Henriette e Armande são irmãs. Por meio de leituras do texto, atuação e improvisação, descobriremos juntos como Molière, mais de 300 anos antes do surgimento da psicanálise, compreendeu e analisou com uma profundidade surpreendente o funcionamento da psique
humana nas relações familiares e, especificamente aqui, nas relações entre irmãos. Alceste e Philinte são amigos. Descobriremos como, ao dar vida a eles no palco, Molière foi certamente o precursor da sociologia.”
A ligação de Véronique Vella com Molière, além dos quase 38 anos como membro da trupe, tem conexão direta com as obras do maior dramaturgo francês de todos os tempos. Como atriz
Véronique Vella interpretou Molière para os seguintes diretores: Pierre Mondy (Monsieur de Pourceaugnac), Simon Eine (O Misantropo, As Eruditas), Jean-Paul Roussillon (O Avarento), Gildas Bourdet (O Doente Imaginário), Jacques Lassalle (A Condessa de Escarbagnas), Marcel Bozonnet (Tartufo) e Dan Jemmett (As preciosas ridículas).
Como diretora Véronique Vella montou Psique, considerada por muitos a obra mais difícil de Molière a ser encenada, em temporada na sala Richelieu, primeira sala da Comédie-Française.
No dia 20 de março, Dia Internacional da Francofonia, uma das grandes ações da diplomacia cultural dos países francófonos, às 10h no Teatro Martim Gonçalves da Escola de Teatro da UFBA, Véronique Vella fará uma masterclass, com tradução consecutiva assegurada por um professor da Aliança Francesa de Salvador, aberta aos alunos e à comunidade UFBA/Aliança Francesa, mas também à sociedade civil e à classe teatral soteropolitana, respeitando a lotação do teatro.
Tendo por título, Comédie-Française - A “Casa de Molière”: O teatro como um lar, nos antecipa Véronique Vella um pouquinho do que será abordado por ela:
“Em nenhum outro lugar a história da trupe e de seus primeiros fundadores faz tanto parte das práticas, dos hábitos, do descomedimento, e das formas de “fazer teatro” quanto na Comédie-Française, e os laços que unem os sucessivos atores de geração em geração. Por quê? Como? Que tipo de DNA Molière e seus amigos deixaram quando criaram o “ilustre teatro”, de modo que ainda podemos, quase 400 anos depois, reconhecer suas pegadas e seguir seus passos? Tentarei responder a esse enigma, que continua a me emocionar depois de quase quarenta anos de trabalho nesse teatro.”
Mais informações sobre o evento e agendamento de entrevistas com Véronique Vella: Deolinda Vilhena – deolinda.vilhena@ufba.br
Texto de:
Deolinda Vilhena – Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Produção Teatral/PPGAC/UFBA
Chefe do Departamento de Técnicas do Espetáculo
Professora Permanente do PPGAC-UFBA
Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia